Neura

Atualizado: 30 de set. de 2021

Com as mãos cruzadas sobre o peito, esperou a morte. Mais perto, mais perto, a cada degrau da escada. Imaginou o assassino chutando a porta do quarto. A faca rasgando seu corpo da garganta ao umbigo. Tripas deslizando sobre o lençol recém-trocado, de algodão egípcio, tão macio! O sangue sujando tudo, fazendo aquela lambança no quarto. Que fim horrível, pensou sem rezar. Paralisado no medo. Disposto a oferecer o pescoço de olhos bem fechados, para não assustar o ladrão e morrer bem rápido. Foi quando ouviu a gaveta se abrindo do outro lado da parede e entendeu a merda que é morar numa casa geminada.



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